Mostrar mensagens com a etiqueta Opinion maker. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinion maker. Mostrar todas as mensagens

domingo, 1 de março de 2009

Livre/o

Alberto P
Prodigioso acanto
Alberto Pimenta
&etc
O Zé (e também o Rui) sabe muito bem que gosto muito dos livros do Alberto Pimenta. Devo dizer que se Bach me fez desistir de ser cantor barroco, e se Sibelius me fez desistir de ser um 'cantor romântico', se Mozart me fez desistir de ser compositor, se Pessoa me fez desistir de ser Português, se César Monteiro e Berio me fizeram desistir de ser pós-moderno e o Godard me fez desistir de ser realizador, se Saramago me fez desistir de ser comunista e se o Steiner me fez desistir de ser de direita, se o Zizek me fez desistir de ser psicanalista, e se o Hegel me fez desistir de ser filósofo, e o Cattelan me fez desistir de ser artista plástico, e a Sophie Calle me fez desistir de ser mulher, e o Agamben me fez desistir de ser italiano, e tal como o Zé faz-me desistir de escrever também o Alberto Pimenta me faz desistir de pensar.
O que me salva é que Platão faz-me desistir de desistir.
(vou parar por aqui com a escrita automático, mas isto trabalhado daria um belo monólogo)

"Acho
que ainda é cedo
não canto ainda"

Qualquer coincidência com o real-por-vir é pura semelhança

J
Acabei de ouvir este musical num vinil bem bonito que comprei ontem na Louie Louie pela módica quantia de cinco euros.
A música é qualquer coisa: vai da chansonette francesa (porque segundo a história, alguém no antigo egipto tinha sotaque francês!!!!!) ao pseudo-reggae UB40, passando pelos coros angelicais e os hard-core beats Beatles.
A alegoria também é qualquer coisa: Joseph recusa backgrounds sistémicos porque quando recebeu um casaco colorido passou a 'sonhar/prever' possíveis ?novos? futuros. Figura religiosa por excelência, ele deveria também ser considerado o padroeiro do teatro-neo-modernista-por-vir, e também Joseph aka Platão aka Ranciére aka Shrink.
As letras são pura obra divina. As rimas, as interjeições, as elipses, o domínio de sotaques, a estrutura 'compensatória' (aquele compensa este que compensa aquele que compensa este), a capacidade de organização, a contenção planeada de custos (actores que 'dobram personagens', como diz a gíria feia teatral), as rimas esforçadas, as rimas relaxadas, TUDO.
Qualquer semelhança com o musical-por-vir é pura coincidência.
Mas também qualquer coincidência com o musical-por-vir é pura semelhança!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fat Itch

Desta vez dois singles de 7" old-school:

Topo gigio
Artista: Topo Gigio
Single: Lado A - Topo Gigio (Canção do programa de televisão)/Lado B - Coimbra
Ano: 1981
Topo gigio
Artista: Topo Gigio
Single: Lado A - Boa Noite (Xixi-Cama) / Lado B - Boa Noite (Xixi-Cama) Versão Instrumental
Ano: 1981

São dois singles (da autoria de José Cid e Rui Guedes) marcantes no imaginário musical de qualquer ratito nascido nos anos 70, se bem que o lado B do 1º single seja também uma piscadela de olho a qualquer ratito nascido entre os anos 30 e 50 do século passado. Se o tema televisivo é um hino de que quase todos se recordam imediatamente (tanto os que gostavam do programa, como os que não gostavam!! Dois canais televisivos era coisa pouca...) já o Boa Noite permanece oculto nas malhas históricas, o que leva a um crescendo no momento de escuta.
- Sim, lembro-me de qualquer coisa.... Sim.... Claro... Oh meu Deus, estou-me a lembrar, Ai que lindo, que LINDOOOOO...... Lá lá lá lá lá lá lá.
Boa Noite não foi um sucesso. Mas devo dizer que, e deixando de lado qualquer crítica possível ao cover de Coimbra em funny music, para mim é um tema absolutamente fundamental na discografia nacional. A letra é muito muito muito duvidosa, mas a melodia faz derreter qualquer coração. E julgo que nestes tempo pós-racionais e pré-sentimentais, faz sentido um come back deste tema.

Aqui está a letra duvidosa que faz tantos olhos ratitos chorar....
"Todos os meninos que são teus amigos estudaram as lições.
Já estão lavadinhos, deitados na cama rezaram as orações.
Já todas as estrelas que há no céu
abriram a luz que Deus lhes deu.
O Popeye, e o Donald, o meu primo Mickey, a Minnie e o Peter Pan,
já foram para cama já.
Um beijinho ao pai, um beijinho à mãe, beijinhos para ti também."

(Mais Fat Itches aqui).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Livre/o (plural)

PasoliniMoravia
Sobre O Cheiro da Índia de Pasolini (ed. 90º) e Uma Ideia da Índia de Moravia (ed. Tinta da China) já o F.F. (não o dos morangos com açúcar) escreveu um belo texto (aqui). São dois livros maravilhosos onde dois Luigi Motta relatam sofrer de hiper-consciência do presente perante o "mercado do vomitado" (a cabeça é crucial em ambas as leituras Jamie Oliverianas: brains and nose). Citando F.F. "São então inventadas, as Índias de Moravia e Pasolini."
E isso leva-me a este livro:
Regis Airault
Loucos pela Índia de Regis Airault (ed. Via Óptima) relata esse "mercado do vomitado" (Ginsberg dixit) vicissitudinário onde os hegemónicos entram em colapso, os radicais metaforizam-se e os hedonistas eclipsam-se (portanto os primeiros são os únicos que não compreendem que a Índia, ou qualquer nação, deve ser Turbo-Folkizada i.e. torna-se no que queremos e não no que naturalmente é). É a fantasia-por-vir proporcionada pela ideia-de-Índia que destrói a estrutura vigente levando rapidamente os radicais e os hedonistas a um estado parecido com a demência (ou a loucura), e os hegemónicos a regressar antecipadamente a casa. Mas em boa verdade nem uns regressam a casa, nem os outros estão doidos (por mais haxixe que tenham fumado). E aqui surge então o próximo livro:
Livro
O Japão é um lugar estranho de Peter Carey (ed. Tinta da China) é o relato de uma viagem do autor e do seu filho à Terra da Bd (e nada desta cultura é surpreendente, visto que o Japão já foi uma ilhota da R.P.C. e tal com os conteúdos da CCTV se assemelham aos da RTP, também a LÓGICA dos costumes é partilhada entre a China e a Índia i.e. os avatares, as mitificações excessivas, não-carnais e vingativas, a pulsão para a morte ou entre nirvana e kamikaze e harakiri, etc. ect. etc.). Assim sendo, o Japão-pós-guerra tornou-se numa versão pop daquilo que fascinou a Savitri Devi e passou a ter novos adoradores. Estes novos devotos começam pela primeira vez nos últimos 100 anos a questionar a realidade simbólica para além da estética i.e. questionar a própria estrutura do acreditar. E nesse confronto histérico surgem dúvidas: Quando e quem é que decidiu que a cultura 'própria' é melhor que a cultura adquirida? E que toda a História é interessante? Porque é que essa e essa e isso e essa e esse e essa e essa é uma prioridade?
Síntese: É pena Portugal ainda não ser um lugar estranho.

domingo, 18 de janeiro de 2009

DVuD

Steak
Filme: Steak
Resultado: "À se procurer de toute urgence" dizem os Cahiers du cinéma. E os meus cahiers dizem: eis uma coisa que gostaria de ter feito mas que não fiz e portanto fiz.
Filme, estou cahierdinho por ti.
Mr. Oizo, sou todo ouvidos... de ti oizo tudo.
Vivam os lalangues.
Viva a megalopsyquia.
VIVE LA FRANCE.

sábado, 3 de janeiro de 2009

VU

Hunger
Filme: Fome
Local: És bonito mas não me aNimas.
Companhia: Same as not usual.
Género: Dusseldorf K21 in 2002 is gone.
Estrelas: I'm not a ninja.
Duração: Forgot to watch the watch or watchyoumacallit.
Argumento: via Opportunities dos Pet Shop Boys
"I've got the brains, you've got the looks / Let's make lots of money
You've got the brawn, I've got the brains / Let's make lots of money

I've had enough of scheming and messing around with jerks
My car is parked outside, I'm afraid it doesn't work
I'm looking for a partner, someone who gets things fixed
Ask yourself this question: Do you want to be rich?
I've got the brains, you've got the looks / Let's make lots of money
You've got the brawn, I've got the brains / Let's make lots of money

You can tell I'm educated, I studied at the Sorbonne
Doctored in mathematics, I could have been a don
I can program a computer, choose the perfect time
If you've got the inclination, I have got the crime
Oh, there's a lot of opportunities / If you know when to take them, you know?
There's a lot of opportunities / If there aren't, you can make them
Make or break them
I've got the brains, you've got the looks / Let's make lots of money
Let's make lots of (Aahhhhh) Money

You can see I'm single-minded, I know what I could be
How'd you feel about it, come and take a walk with me?
I'm looking for a partner, regardless of expense
Think about it seriously, you know, it makes sense
Let's (Got the brains) / Make (Got the looks)
Let's make lots of money (Oohh money)
(Let's) You've got the brawn / (Make) I've got the brains
Let's make lots of money (Oohh money)
I've got the brains (Got the brains)
You've got the looks (Got the looks)
Let's make lots of money (Oohh money)"
ou então
- Hey Enda. Tired of being a In-yer-face theatre author in 3rd world countries? I've got something for you! I've got loads of make up, blue light, blue filters, blue situations, on the wall, on the sky, on the mouth, against the floor red will burst out, a really interesting in-yer-face situation to hang on, and it's in Ireland you ginger, violence with sadness, back to poetry full of metaphors, you can do whatever you want. They know me.
- Is all this for real?
- Yeah I've got loads of reel!

terça-feira, 22 de julho de 2008

VU


Filme: Namban Japan
Local: Anfiteatro FCG - Por cima do metro, por baixo dos aviões, entre os patos e os autocarros.
Companhia: Amigos e brigada do reumático
Género: "Vanguarda-me aí um barril de petróleo" incognito dixit
Estrelas: Céu farto, teatro parco
Duração: 5 minutos cada filme. Curto para o do André, suficiente (-) para a maioria.
Argumento: Os meus amigos sabem que eu não sou grande fã de duas coisas: jazz e documentários. Em relação ao jazz pronunciar-me-ei quando julgar necessário; em relação ao segundo, chegou o momento.
A pouca paciência que tenho para o documentário deve-se a uma estabilização no formato nostálgico da coisa. Basicamente não tenho paciência para ver pontos de 'vu' de pessoas parvas que não tiveram paciência para viver/cometer 'erros' na sua altura/no seu tempo, e tão pouco pontos de 'vu' de pessoas fracas/débeis que não têm força de ir em frente. A nostalgia é um desses mecanismos totalizadores e ridiculos (sublimes, diria ZZtop) que não nos permite integrar o que sabemos já estar integrado. Como exemplo: ter nostalgia de 'um amado' é no fundo saber que já não o temos (ou no pior dos casos, que nunca o tivemos). E sobretudo o que não me agrada nada na lógica arquivista fin de siècle de registar todas as curiosidades etnológicas como história da história da história é:
1) pensar-se que vivemos no melhor dos tempos (e esta lógica que refiro é uma lógica dos anos 90, nem sequer é a dos 2000; mas quem está no poder mediático são ainda pessoas de ascenção rápida nos 90, auge de uma euforia estética inaudita).
2) o conteúdo validar o objecto (objecto que pode ser evento eventualmente i.e. como se essa tentativa pós-histórica de historizar rizomáticamente valesse pelo Acto de Realizar i.e. a Arte como todo). Os objectos artísticos não têm de ter nenhum valor social ou eficácia de ensinamento, ou produto que fortalece conhecimento, nisto discordo claramente de... well, todos os programadores?!?
3) que ainda por cima o conteúdo dos documentários seja tutelado invisivelmente pela questão da busca do Real. Algo que daria pano para mangas, e que deixo a cargo do Rogério e do Zizek.
Todos os documentários que eu vi no evento "Tão perto/Tão longe" (pelo que sei, alguns ficaram de fora) sofreram disto... excepto o Namban Japan de André Godinho. É teu amigo, dirão uns. Ao que eu respondo, e é por isso mesmo que é meu amigo. Se o que faz fosse uma merda, eu deixaria de lhe falar.
Posso mesmo dizer que por padecerem tanto destes mesmos sintomas, à excepção do Namban Japan não considero nenhum dos outros documentários Arte.
Uma cisão/brecha, uma potencial partage du sensible: é isto a Arte.
Por isso mesmo, às vozes que tchan tchan nomeavam o documentário da Margarida Cardoso como 'o tal' o 'number one' (aquele que mostrava uma grande seriedade na resposta dada ao convite, e maturidade na qualidade do que foi apresentado) eu só posso responder que ela padecia 3x mais destes sintomas. Pois sabe-se que estes sintomas não se mostram/revelam naquilo que se conhece/que conhecemos, mas no que se faz, no que se cumpre, na praxis, no que se comete. Neste sentido todo o seu metier está profundamente formatado por ditaduras invisíveis (só posso lamentar profundamente quem não consegue ver isto): os planos, o ritmo, o conteúdo (a historieta metafórica de proliferação/genealogia, o multicultural LOCAL escolhido, a dicotomia natureza brutal vs. humano-magnanime-que-
deseja-pujança-equivalente-à-da-ilha, o não questionamento do convite, o não questionamento da arte) etc e tal, enfim tanta coisa por onde pegar que é só ter vontade. O que custa mais é que "se repetem as asneiras" zé dixit, e os noventões e noventonas de vinte e de trinta e quarenta e sessenta anos de idade vão à boleia. Repetindo os percursos, as curvas e os destinos. Às vezes também o brand dos cigarros.
Voltando a Namban Japan e antes que me irrite mais e começa a barafustar com este vazio cibernético (acima de tudo, o tolo para quem estou a escrever sou eu mesmo, zztop dixit).
O documentário do André não é formalmente novo (isto seria um critério se fossemos modernos).
O documentário do André não nos revê numa historieta comum (isto seria um critério se fosses pós-modernos).
O documentário do André vê (isto é um critério contemporâneo).
Tal como o Flaherty via, tal como o Vigo via, tal como o Vertov via, tal como o Rouch via, tal como o Warhol ou o Morrissey viam, o André vê (já voltarei ao ver e ao pestanejar). Isto implica desejo (e não registo como fazem Moore e a Sic reportagem) e um tocar na tal fantasia que desaparecerá fulminando o bonding social i.e. que queimará as mãos i.e. impossibilitará pragmatismo na tal sociedade alienadamente activa. Estando consciente da sua mortalidade e das suas limitações o autor de Namban Japan não deixará de exercer a sua função de partagador du sensible.
Tudo começa por um convite: ele sabe que existem dois mecanismos de resposta. Ou responde 'naturalmente' com cinismo (respondendo como todos os outros participantes responderam): defendendo publicamente algo em que não acredita intimamente; ou responde 'pseudo-revolucionariamente' com ironia: troçando publicamente com algo que intimamente (muito no lá no fundo) acredita. Em jeito de 'negação da negação' eu diria que ele diz exactamente ao publico o que deseja acreditar/o que acredita no intimo. E nós temos um nome para isto. Ideologia. A sua materialização é a Estética. O seu intuito é a Megalopsychia. A vocalização na realidade do que se 'sofre' no intimo (o sofrer não é necessariamente de dor) pode ser também chamada de universalismo, ou de tendência universal, mas isso fica para outro dia.
Se todos os outros documentários funcionam como os 'gestos vazios' funcionam (significantes que possibilitam a ordem social), como exemplo é possível imaginar-mos a resposta de cada um dos realizadores à pergunta "O que queres dizer com este filme?":
Os cínicos responderiam que uma obra de arte fala por si.
Os irónicos responderiam com motivações sociais (igualdade, liberdade) e mea culpas (capitalismo, eurocentrismo).
com Namban Japan, a possibilidade de colocar esta pergunta não existe porque não existe essa Necessidade. Não existem dúvidas porque nem sequer somos achados na matéria. Namban Japan é ideologia pura e dura. O autor sabe que poderá morrer como Robespierre. A verdadeira arte é Beuys-paradigmática. Está ligada com a vida. São indissociáveis. É uma grande chatice. Enquanto uns levantam o chapéu às donzelas que passam inconscientemente em direcção a um precipíco que as engravidará levando-as a uma possível engorda, o André em jeito de Jeff Wall expõe-se ao ridiculo assumindo a função de stumbling block (não protege de uma eventual queda, pelo contrário, faz cair mais rapidamente na Real. Isto tudo para quem quer, claro está, os inconscientes param medrosos perante o muro. Ele não é assim tão demente para obrigar todos os mortais a cair de vez. Isso fica para 'Prometeu, o Pretencioso'). Tal como a arte, a Ideologia consome-se gratia sui. Não é para quem pode, é para quem quer. Não tem respostas, tem alternativas que levam a uma queda provável e eficaz. Mas de um mundo desideologizado nasceu o André (aliás, ambos nós). "E nós não temos medo" zé dixit, porque sabemos fazer amor (quanto a este ponto também voltarei).
Namban Japan reconhece o tempo como um todo contínuo (eu não sei quando foi filmado sabendo que foi filmado no seu próprio tempo) i.e. há um reconhecimento histórico no embate com o presente ou nos restícios do agora; Namban Japan existe (no sentido em que é verdade) num espaço de ficção realmente (ou o Real mente/de mentira e de mental) contínuo, logo, todos os multi e inter culturalismos deixam de ser sintomas e passam a ser, well, nada, vida vá lá, é isso, "é a vida, o que é que se há-de fazer? Viver." sg dixit; Namban Japan não pode ver mais num abrir e fechar de olhos do que lhe é possibilitado por esse mesmo abrir e fechar de olhos (formalmente isto é das coisas que me impressiona mais no trabalho do André, sentir o seu pestanejar calmo na cabeça em rotação; em cada abrir de olhos um detalhe novo, aproximado ou distante, noutro local ou no mesmo) i.e a grandiosidade do que lhe é grande e não a grandiosiade ditada pela fantasia social numa invisibilidade constrangedora.
Se em Riders havia um documentário decalcado da ópera (aí começa a primeira das fodas de Godinho), em Namban tudo começa com uma discussão. Mas como para o André nunca há discussões graves (nos grandes assuntos nada mais é achado na conversa do que a própria matéria, é esta a sua dialética negativa) nada é melhor do que foder para resolver o assunto. A erotização da arte é uma coisa muito bela, já dizia a Sontag nos anos 60. E assim Namban fode com Japan. Sem jeitinho. Em estilo bárbaro (se bárbaro significa vocalmente gaguejar, podemos dizer que visualmente significa pestanejar). E o amor resolve a sensação individual de se ser excluido nalguma coisa pelo outro, excluindo tudo o que o rodeia.
E depois vem o filho.
E depois vem a engorda.

Fat Itch


MIA
Paper planes (homeland security remixes)
XL recordings

LADO A
Paper planes (original)
Paper planes (DFA remix)
Paper planes (Afrikan boy & rye rye remix)
LADO B
Paper planes (diplo street mix ft. bun b & rich boy)
Paper planes (Scottie b remix)
Bamboo Banga

Uma música fantástica num disco fantástico com uma capa fantástica e umas batidas fantásticas e o mundo? O mundo é fantástico com cores fantásticas e está um calor fantástico não está? Hã? Não te consigo ouvir, bem esta bebida está fantástica, com que farão esta bebida, com um licor fantástico prá'i ou então o gelo, estes cubos de gelo com luzes são fantásticos! Great. Oh não, vem aì o afrikan boy e os seus dilemas cool de não integração. Apre. Deixa-me mudar de lado que é para ver se não me vê. Ah fantástico, este lado também é fantástico. Bem, vi umas calças verdes claras fantásticas e baratíssimas naquela loja...hmmm, como é que se chama aquela loja de roupa fantástica em frente aquela 'peluqueria' fantástica em Meimoa? Não sabes? Não te lembras!?&(#) Tu és fantástico, lol, absolutamente dazzingly fantástico. Agora não te lembras de nada, esqueces o que estava a passar e começa algo completamente diferente. Outra música também absolutamente fantástica mas que pertence a Outro disco. What a fuc King deal?!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

DVuD


Filme: Planet Terror
Resultado: Um gelado muito mau da Ben & Jerry's, dois sleepy heads. Lançado com 'Death Proof' do Tarantino (eu, tal como aos manos do Matrix, também nunca fui grande apreciador dos filmes do Tarantino, excepto Jackie Brown), esse filme próximo da genialidade, Planet Terror não soube encontrar o seu caminho. In between as Motoratasdemarte meets João Alves da Costa (tudo tratado com patine 70's) é mau mau mau mau todos os dias. Ainda por cima, inconscientemente (e ao contrário do que pensa), é uma ode ao neo-burguesismo tolo (pela narrativa e pelas 'técnicas adoptadas'). Podia estar lá, mas não está. Nem o filme, nem a merda do gelado Ben & Jerry's.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Vu


Filme: Speed Racer
Local: também cheguei com speed ao (l)UCI(fer). Afinal a sessão era 15 minutos mais tarde.
Companhia: the usual popcorn mais 4 espectadores (duas desistiram e uma fez intervalo)
Género: Quem-não-é-grande-fã-dos-Matrix-vai-evitar-ao-máximo e os chungas desistem após uma hora.
Estrelas: Susan Sarandon em Sloterdijk, Emile Hirsch em Virilio, John Goodman em Foucault, Christina Ricci em Deleuze, o macaco em Singer, enfim, está lá tudo.
Duração: 2h15m demasiado rápidos
Argumento: Confesso que nunca fui grande fã da metáfora in-your-face Matrixiana (apesar de ter enjoyado a espectacularidade digital dos filmes). Portanto, fui daqueles que sempre desprezou o trabalho da dupla de manos (sim, já tudo foi desmentido Ander, elEs ainda são manOs). Mas com Speed Racer tudo muda. É um fime com segundas intenções escondidas, um filme de 'nebulosas de imagens' agressivas (as tais que fazem com que os chungas desistam: até para estes o filme agressivo) i.e. explosões de ruido visual megalopsyquicas. É um filme sobre fazer cinema, um filme sobre política, um filme sobre arte, um filme sobre inter-relações humanas. Um filme muito complexo que não necessita de tanto desprezo (a tal prova de que os irmãos não são nada estúpidos). Por mim pode ser este o futuro. Uma saída do plano fixo (neste filme as cenas mais 60's), e a entrada num estado psico-trópico onde quem soube sabe. Speed Racer seria claramente mais compreendido numa galeria de arte. Mas para mim até no (l)UCI(fer) Speed Racer é um dos melhores filmes que eu alguma vez vi na vida. Speed Racer é Megalopsychia.

domingo, 29 de junho de 2008

Fat Itch


Artista: shegundo galarzo é Shegundo Galarzo
Álbum: Interpreta músicas de José Afonso, José Mário Branco e Sérgio Godinho
Ano:
Editora: Polygram

LADO A
1. Casa comigo Marta
2. Maré Alta
3. Maio maduro Maio
4. O que faz falta
5. Eh! Companheiro
6. Mariazinha
LADO B
1. Liberdade
2. Coro dos tribunais
3. Maria Faia
4. O charlatão
5. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
6. A noite passada

O título poderia ser outro: B.S.O. para o filme "Moura Ria" de Q. Tarantino ou "Comer na Gruta Velha" de G. Damiano, etc e tal. Este disco é um Love Boat meets "Symphonie des jouets" de Mozart. Substância sub traída das músicas = forma que incrementa mistério. As orquestrações são constituidas por fragmentações tímbricas (respeitando sempre os desenvolvimentos rítmicos) divididas pela orquestra; um Czerny orquestral; música revolucionária em muppets. Uma pérola. Um deleite. Por vezes um Bonanza. Obrigado Ander por me teres apresentado este disco. E obrigado Shegundo, primeiro pela persistência e Shegundo pelo Rámon.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Fat Itch


Artista: Vários
Álbum: Compilação da série O espelho dos Acácios
Ano:1978
Editora: MoviePlay

LADO A
1. Indicativo do programa
2. Frou Frou
3. Cançoneta do Abade Felício
4. Pobre borboleta
5. 1920
6. Feliz e Contente
LADO B
1. Na caparica
2. Galinha Galinha
3. Natalícias
4. Quem dá mais
5. Fio de Novelo
6. Temas hippies e folclóricos

Bom, eu sou foleiro... e este disco é terrível. Um disco armado em 'piadolas' (estilo Nico d'Obra dos anos 70), musicalmente pobre (excepto o toque muzak de Thilo Krasmann), e de ambição pouca. Exceptuando Frou Frou (um clássico da televisão nacional) e o Feliz e Contente (repescado de 1975 e ainda numa versã com Herman e Breyner, mas desta em ainda mais parvos), não posso deixar passar um Kalinka coverado de Galinha Galinha ou um Jingle Bells de Natalícias, nem deixar de apontar a última 'salada musical' Temas hippies e folclóricos onde até um "meninas vamos ao vira" é substituido por
"meninas vamos ao hippie
que o hippie é coisa boa
eu já vi dançar um hippie
com as meninas de lisboa".
Um disco a esquecer, a lamentar e a reter.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Vu


Filme: La graine et le mulet (O segredo de um cuscuz, e lá está, as versões dizem sempre mais que os originais!hihihi)
Local: (um) Monumental (pivete a merda)
Companhia: o pipocas sem pipocas
Género: Como bem me avisou o Ander, tem um bocadinho de tudo: de Dogma e de tableau vivant, de sexo e de comida verdadeira, de ficção e de documentário, de tragédia e de comédia, de política e de poética, e suspense suspense suspense suspense.
Estrelas: bem, o elenco é qualquer coisa. Mas qualquer coisa mesmo. São todos absolutamente maravilhosos porque reais e loucos.
Duração: O suspense é um género que me vai matando aos poucos. Duração mais do que certa porque sobrevivi.
Argumento: Dos melhores filmes que tenho visto nos últimos tempos. E quando isto acontece, há-que guardar o porquê; é que senão os inimigos roubam-nos as armas. E o filme, é isto (não estou a falar da narrativa, estou a falar do FILME). Ser-se revolucionário via bio-politica, eticamente (e o que é a ética senão parte da 'consciência de si' como consequência directa da experiência da consciência, que tem como outro lado da moeda a estética?). É que Não basta falar, Nem basta fazer. HÁ-QUE SABER.
Abdellatif Kechiche, ich liebe dich.

Fat Itch


Artista: Shila
Álbum: Doce de Shila + Lenga-lengas e segredos
Ano: 1977 + 1979
Editora: Lá Mi Ré + Sasseti

LADO A
1. Espectáculo + 1. Teresinha
2. Chula + 2. A gota da meadela
3. Doce de Chila + A bailarina
4. Mais um Filho + Pulga
5. Entre a flor e a enxada + A Valsa
LADO B
1. Rapa tira deixa põe + 1. Sempre foi assim
2. A parteira do mar + 2. Eu não tenho a certeza
3. Dança do amargar + 3. Ai eu quero
4. Rosie + 4. Cabecinha fria
5. Gente assim + 5. Todos me querem

Dois álbuns absolutamente singulares no flowerpower nacional. Pósmodernismo fabuloso de Fausto em Rosie e de Godinho em Pulga (auto-citação excessivamente bela: nos versos e nas linhas melódicas), dance hits como Mais um filho e Invejo logo existo, Parteira do mar à espera de uma versão da Kate Bush, composições de um Julio Pereira ainda incapaz (noutro post falarei dele) como A bailarina e Entre a flor e a enxada, , o curioso 'woodstockrock' de Rapa tira deixa põe, o Sempre foi assim que Sérgio Godinho refaz mais tarde em 1981 no 'Canto da Boca', uns covers charradotes de Espectáculo e do Teresinha do Chico Buarque, e os lindos lindos lindos Doce de Chila e Dança do Amargar. Estes dois últimos singles com os dois primeiros bastavam; são as minhas quatro canções preferidas.
Mas preferido mesmo, é a dedicatória feita no primeiro vinil ao seu grande amor:
Para cantar um dia connosco,
a Shila veio dos quatro cantos do mundo.
Dos cantos do Canadá,
onde os cantos que se cantam
se perdem nos cantos que não se encontram,
tanto é grande a terra
que lhes serviu de terra-mãe.
(etc...)
Assinado: Sérgio Godinho
Não sabia que ele também tocava violino.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Fat Itch


Artistas: Vários
Álbum: Compilação da Telenovela Palavras Cruzadas
Ano: 1987
Editora: Polygram

Lado A

1. Elizabeth Sala Palavras Cruzadas (Genérico de Abertura)
2. Dina Em Segredo
3. António Pinho Vargas Jardim do Passeio Alegre
4. Kris Kopke Is it him
5. Rão Kyao Tróia
6. Tozé Brito Diz-me
Lado B
1. José Cid Tudo bem
2. Rão Kyao Canção da Manhã
3. Kris Kopke Lover
4. Tozé Brito Recepção
5. Da Vinci Momentos de Paixão
6. Palavras Cruzadas (Genérico Final)

Um disco easy-listening absolutamente fabuloso. Destaco, para além do dançável genérico (e dos mega-hit-dance Tróia e Canção da Manhã) e do muzak de António Pinho Vargas: as épicas baladas do grande mito Kris Kopke e um Tozé Brito semi-psicadélico em Diz-me, e uns Da Vinci em Rádio Macau meets publicidade da Olá.
Um disco esquecido nas prateleiras da Polygram. Uma raridade nacional a recuperar... já.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Vu


Filme: Happening (o Événement do Badiou: e pronto já está a somar um ponto)
Local: (l)UCI(fer) : e pronto já estou a subtrair dois pontos
Companhia: o medricas, o pipocas e a pipricas (nem subo nem desço a pontuação)
Género: "Costumo fazer filmes suspense/catástrofe com histórias de amor, mas agora decidi fazer uma história de amor com suspense/catástrofe i.e. basta filmar uma cena com uma velha parva, bonecas de porcelana, berraria e vento, e bombar acordes malucos com batidas Matmos". Pronto, menos uns pontos.
Estrelas*: a velha e a boneca.
Duração: Justa (mais menos uns pontos).
Argumento: Em jeito de ZZ. "This is a movie about fertilization. But let me take it a little bit further, isn't fertilization so much a question about temperature as a question about availability? Now, we have a name for that: Love. Isn't love the happening that makes woman exist (if only for some seconds) in order to be fertilized. We can take it a little bit further and state that one happening (love) has to exist in order for the other happening (the proper sex) to take shape. Can't we see in the wind (that travels all around the movie) the lamella, the phallic and stupid man in the film that picks the trees pollens, sending it all around; and can't we see the population stopping and consequent suicide as the beginning of the death-drive and its repetition as the responsibility of paternity? And, let me take it a little bit further, can't we read of the presence of the best friend's child some sort of object petit a that will develop into desire proper?!? Yes, we can see at the end that not only the wind leaves America, the foster parents also leave the child and commit happily to the unborn one. And we could have a name for that: 'Shy a maman?' or 'frigid? or 'fridge id?' " Adoro. 5 pontos.
Decisão: 0 + 1 - 2 (0) - 2 + - 2 + 5 = 0
*Por razões que ultrapassam o autor, esta categoria não servirá de pontuação.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Vu

Vou voltar a opinar (em memória do Bosque que ardeu, e por sugestão do Ander!).

Filme: Forgetting Sarah Marshall título português Um belo par... de patins. O/A tradutor/a acobardou-se, como poderão compreender já de seguida. O que ele/a queria dizer era 'Um belo par.. de _ _ _ _ _ _ _'.
Local: (l)UCI(fer)
Companhia: Ander (a quem dedico isto) e Trashédia
Género: Género, tenho-uma-pila-grande-e-quero-ser-famoso-aos-
portantos-decidi-escrever-um-argumento-martelando-a-no-teclado-
e-aparecendo-nu-a-cada-oito-segundos-de-um-filme-de-duas-horas.-
É-suficiente-,-não-!-?-#-hello-!-:(-
Estrelas: para mim a estrela é um tal de Russell Brand a interpretar um cantor pop (mas por vezes nota-se demas que ele estava a fazer (paralelamente) a biografia cinematográfica (talbez para o baiógraphy chanel) do zé manel dos fingertips).
Duração: o filme: 2 horas sem pipocas, as quecas: 20 segundos sem pipoca.
Argumento: É mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau mau, trocas e baldrocas de amores, um homem compositor de acordes para séries americanas a lidar com a sua nostalgia hic et nunc, divisões/conotações/apreciações racistas (e estas são as partes boas), novos amores, ilhas encantadas, janados, muito vinho, cenas cool na praia ao contraste da disneylandia havaiana. A primeira hora passa bem, a segunda é mais dolorosa. Resumindo, é tudo demasiado longo (o filme também), são todos horrorosos e de má-capacidade-mimética, e é moralista; MAS TEM A MELHOR CENA DE teatro (em pequenino) ALGUMA VEZ FILMADA. Uma ópera-rock (que o protagonista vai compondo ao longo do filme) sobre o Drácula e interpretado por fantoches. UMA MARAVILHA.
Decisão: a não perder... a oportunidade de comprar as tais pipocas no próximo filme de _ _ _ _ _.

domingo, 22 de junho de 2008

MegaloPsychia



Estou viciado nestes dois álbuns: Sexuality de Sebastien Tellier, e Soft Power de Gonzales.
Marcam já o inicio da emo era MegaloPsychia que está por vir (que destruirá definitivamente a angustiada e multicultural 'espera pelo Real' iniciada nos anos 90; não vai voltar, porque não se deixa fixar; é um monstro mutante.). No more. An end. Wagner dixit. Vamos acabar com arte do quotidiano (as coisinhas pequeninas lá de casa + as colecções). Vamos acabar com a parafísica. Vamos acabar com o jogo. Vamos acabar com a sorte. Vamos acabar com a anarquia. Vamos acabar com a exaustão e os criadores exaustos. Vamos acabar com o silêncio. Vamos acabar com o questões em torno do processo. Vamos acabar com o intertexto. Vamos acabar com a metonímia. Vamos acabar com as posições 'anti-narrativa'. Vamos POR FAVOR acabar com as 'petites histoires'. E com a 'differance'. Vamos acabar com a ironia. Vamos acabar com a indeterminação.
Megalopsychia ao Poder.

terça-feira, 3 de junho de 2008

"Have you cine it / Baby have you cine it"


Luzes no crepúsculo
Aki Kaurismäki
Atalanta/Fnac

No comments.
Mas devia vir com o "Palácio de Cristal", naqueles packs do livro + filme.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Avarento dixit com u meu acórdo hortográfico

"E eich zenão quando..." ao passeando na fnac, em corridinha para a seccção de philosophia, de caras me dou com ishto.

Highlights: "A crítica vista dos bastidores" uma mesa-redonda com Tiago Bartolomeu Costa, Miguel-Pedro Quadrio, João Carneiro, Rui Pina Coelho e Rita Martins. + Depoimentos de: Augusto M. Seabra, António Guerreiro, Pedro Boléo, Manuel Gusmão etc. + "Mas o teatro é uma coisa que está ali, e isso merece ser pensado" uma conversa com Maria Helena Serôdio.
Outros highlighs: um diário do zé maria + um textito do zé maria + uma conversa com o zé maria.
p.s. pelos trilhos dessa ex-cooperativa marxista, comprei " In defence of lost causes" do slavoj (toma francisco, não me trouxeste da américa, tb não te trouxe nenhum do chiado) + um filme do teatreiro aki kaurismaki "luzes no crepúsculo" + um livro (provavelmente inútil) que me sinto obrigado a apoiar (sou um pinga-amor) : "teorias da cultura" de Maria Laura Bettencourt Pires ed. pela universidade católica + cd sensuous do Cornelius + cd alopecia dos Why.